domingo, 26 de fevereiro de 2017

Um olhar meio leigo sobre o filme "Moonlight: Sob a Luz do Luar" #AquecimentoOscar2017


Cuidado que esse post pode conter alguns spoilers!

Alguns filmes concorrendo a Melhor Filme no Oscar 2017 já tiveram suas resenhas divulgadas aqui no blog: "La La Land", "Até o Último Homem", "A Chegada", "Lion - Uma Jornada para Casa" e "Manchester à Beira-Mar". A maior premiação do cinema acontecerá hoje (26), com exibição no Brasil somente pela TNT e neste post vou falar sobre o filme, "Moonlight: Sob a Luz do Luar":

Que gay nunca teve sua fase de auto-conhecimento? Pois bem, esse é o target principal deste lindo e emocionante filme escrito e dirigido por Barry Jenkins, que conta a história de Chiron em três fases de sua vida, infância, adolescência e a fase adulta. Nessas três fases podemos acompanhar como foi a vida desse homem negro se descobrindo homossexual.

Na fase infantil, Chiron (Alex R. Hibbert) sofre bullying na escola em que todos os valentões o chamam de gay, mesmo o coitado do garoto nem saber direito o que é isso. Além de todo esse sofrimento, comum na sociedade até hoje, sendo gay, hétero, bi, negro, branco, pardo, amarelo, rosa, o pequeno menino ainda tem que sofrer dentro de casa com sua mãe (Naomie Harris) drogada e que também o acusa de não ser "normal". Mas uma alma bondosa, e mais fantástica do filme, aparece na vida de Chiron, ele se chama Juan (Mahershala Ali), um traficante muito gente boa que praticamente adota o garoto e o leva constantemente para sua casa, onde mora com Teresa (Janelle Monáe), que o trata feito um filho, que o casal não teve.


Ensinando o lado bom da vida, a família que o pequeno Chiron não teve ao lado de sua mãe irresponsável, ele passa sua adolescência querendo fugir do mundo triste para poder sorrir novamente na companhia de Juan. Inclusive, uma cena muito marcante é quando a criança pergunta sobre gay para o casal e o fodástico do Juan fala a coisa mais foda do filme inteiro. Mas só assistindo o filme para vocês entenderem o que estou falando, rs.

Já na fase adolescente, Chiron (Ashton Sanders) continua sofrendo mais bullying na escola, até que já colocou em sua mente que ele não pode ser gay, senão vai sofrer muito (mais uma vez, que gay nunca passou por isso hein?). Tendo um melhor amigo, Kevin (Jharrel Jerome), Chiron se vê podendo contar sempre com alguém mais uma vez. Mas esse alguém acaba soltando um sentimento no jovem que nunca havia sentido antes: o amor. Lindamente os dois rapazes se beijam, mas nem tudo são flores na vida de Chiron. Um certo dia, em uma briga entre os boyzinhos da escola, em que Kevin fez amizade, provocaram Chiron, e fizeram Kevin bater nele, que adivinha... Bateu e muito.

P* da vida, Chiron corre, sem chão, afinal seu primeiro e único amor até o momento, além de demonstrar não ser seu amigo de verdade, ainda quebrou seu coração drasticamente.


História vai, história vem, Chiron não mora mais naquela cidade, e já adulto (Trevante Rhodes), conhecido pelo apelido de Black, ele, teoricamente hétero, ficando com muitas mulheres, todo estiloso, encorpado e bonito, uma certa vez volta para aquela cidade que não o trouxe boas lembranças para visitar ninguém mais, ninguém menos que Kevin (André Holland), que ora encontrou o telefone de Black e ligou para baterem um papo.

E assim flui o final da história, com muito amor, muitas drogas, muita família que não é a verdadeira mas é de coração, e um sentimento que o sofrido Chiron tem que é indescritível para quem está assistindo o longa, fazem este um dos melhores filmes que foram lançados em 2016.



E no Oscar...

Para mim, dos 9 indicados à Melhor Filme, este, sem dúvida, é o melhor, e é um concorrente provável para a estatueta, ainda mais pela leva de prêmios na categoria que ele levou desde o lançamento para cá. A briga vai ser mais feia entre Moonlight e La La Land, com toda certeza. Barry Jenkins faz um excelente trabalho, então é um concorrente fortíssimo nas duas categorias que concorre, Diretor e Roteiro Adaptado. Isso você vai entender pela sutileza que as imagens e as sequências do filme andam em sintonia e o roteiro que dispensa comentários. Para a atuação, os melhores do filme, sem dúvida, são os que concorrem como coadjuvantes: Naomie Harris e Mahershala Ali. Eu acho que a Janelle Monáe deveria concorrer nessa categoria e o ator Chiron na fase jovem também, mas como representantes, Naomie e Ali fazem muito bem esse papel, ela mostra toda a emoção e o sofrimento com as drogas, de quem quer e não consegue largar o vício, já ele, bem, ele... O MELHOR, ponto final. Merece o Oscar! A trilha sonora é incrível, misturando o hip hop pesado com a música erudita. Na edição, eu acho que peca um pouco, pois se perde em muitas cenas, mas já vimos coisas bem piores concorrendo, né? E a fotografia, pensando pelo cenário suburbano e a imagem com um toque cult fazendo ser uma das melhores, senão a melhor, fotografia entre os indicados.

Veja o trailer:




[imagens: aqui, aqui, aqui e aqui]